01/09/2010 09:55:38

“O mundo descobriu que Brasil não é apenas Pelé e samba”

Fonte - Site Revista Época Negócios

Pelé, samba, futebol e, mais recentemente, Ronaldo. Estas referências faziam parte do imaginário de qualquer estrangeiro quando o assunto era o Brasil. Mas, a formação do bloco dos BRICs (acrônimo para os gigantes Brasil, Rússia, Índia e China) e o fortalecimento de boa parte dessas economias - sobretudo a brasileira, diante da crise de 2008 - resultaram em um novo olhar para o país. “O mundo descobriu que o Brasil não é apenas Pelé e samba”, afirma Dominique Turpin, presidente do International Institute Managemant Development (IMD), uma das importantes escolas de negócios do mundo. “Por passar quase incólume da crise, continuar crescendo e ter um melhor posicionamento na cúpula internacional, o Brasil se tornou o número um para fazer negócios”.

O professor afirmou que um dos principais executores dessa mudança de percepção em relação ao Brasil foi o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele tem uma excelente retórica, conseguiu vender bem a marca Brasil”, disse o francês. E ele acredita que as Olimpíadas de 2016 e a Copa do Mundo de 2014 ajudarão a impulsionar o país. “Cabe às empresas brasileiras aproveitarem essas oportunidades para se tornarem globais.”

Para o estudioso em marketing, o principal desafio das companhias nacionais é ultrapassar as fronteiras do território nacional. Ele cita a Alpargatas, com Havaianas, e a Natura, como exemplos de empresas que conseguiram conduzir muito bem essa transição. “A estratégia dessas empresas foi tornar-se relevante para o consumidor e apostar fortemente na comunicação”, afirma Turpin.

A Alpargatas, conta o professor, transformou um simples chinelo em um item de moda. Acrescentaram mais cores e lançaram uma campanha publicitária com celebridades e suas Havaianas, como esforço para atrair compradores da classe média em vez de ser associada apenas à classe trabalhadora. Além disso, ele afirma que os profissionais de marketing foram cautelosos ao adaptarem suas campanhas de acordo com a cultura de cada país.

A fórmula da Alpargatas já foi copiada por muitos concorrentes, mas nem por isso a empresa deixou de buscar a inovação para manter o interesse dos consumidores, seja em produtos, serviço ou em comunicação. “Este é o grande desafio das marcas”, afirma. “Ninguém sabe o que o consumidor quer, nem ele mesmo. É uma busca constante”, afirma o professor.

Educação executiva
A busca não é exclusiva das companhias brasileiras. Faz parte também das escolas de negócios internacionais. Cada vez mais estas instituições despacham seus pesquisadores para entender como funcionam as empresas brasileiras. Até alguns anos, de acordo com o professor do IMD, histórias que serviam de inspiração para os alunos eram colhidas basicamente em companhias europeias e americanas. Mas o crescimento de mercados emergentes e a sofisticação de seus consumidores fizeram com que os pesquisadores tivessem de ampliar seu campo de visão. “Assim como os grandes investidores, as melhores escolas estão sempre querendo descobrir a nova Nike, o novo Starbucks”, disse Turpin. “Nessa busca, é natural olhar para um país com potencial de crescimento como o Brasil.”

Além de estar aqui para pesquisar novas empresas e dar cursos para executivos em companhias nacionais, Turpin afirmou estar em busca de professores brasileiros para dar aulas na sede da instituição em Lausanne, na Suíça. “Temos professores de diferentes nacionalidades e nos falta, hoje em dia, aquele que conheça a cultura brasileira e entenda Leia Mais
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como se dá os negócios por aqui”, disse. De fato, o samba e o futebol deixaram de ser o único produto “made in Brazil”.